Semaglutida nacional tem data de lançamento e preço definidos no Brasil
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A farmacêutica brasileira EMS confirmou o lançamento do Ozivy, a primeira semaglutida fabricada em território nacional, agendado para o dia 15 de junho de 2026. O medicamento, que obteve o registro sanitário da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no final de maio, compartilha o mesmo princípio ativo do medicamento de referência.
O preço inicial de comercialização foi fixado a partir de R$ 452 por sistema aplicador (caneta), contando ainda com um programa de suporte ao paciente para otimizar a acessibilidade nas fases iniciais do tratamento. O Preço Máximo ao Consumidor (PMC) estipulado pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) para a apresentação de 1,34 mg/mL foi definido em R$ 803,44, valor base que flutuará conforme a alíquota do ICMS de cada estado.
Inovação Biotecnológica: Síntese Química de Peptídeos
O grande diferencial do Ozivy no cenário de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) nacional reside na sua rota de síntese. Enquanto a semaglutida de referência é produzida por tecnologia de DNA recombinante em organismos vivos (leveduras Saccharomyces cerevisiae), a EMS desenvolveu um método inédito no país baseado inteiramente em síntese química laboratorial.
Farmacotécnicamente, a síntese de peptídeos em fase sólida ou líquida permite a construção sequencial dos 31 aminoácidos que compõem a cadeia da semaglutida sem a necessidade de processos biológicos complexos de fermentação. Essa abordagem industrial garante um controle rigoroso sobre a pureza química do insumo farmacêutico ativo (IFA), minimizando a presença de proteínas hospedeiras ou imunógenos residuais biológicos comuns em produtos biossimilares.
Perfil Farmacológico e Indicações Clínicas
Do ponto de vista farmacodinâmico, o Ozivy preserva todas as propriedades da semaglutida, atuando como um agonista do receptor de GLP-1 de longa duração. A molécula possui modificações estruturais em sua cadeia, como a substituição da alanina por ácido alfa-aminoisobutírico na posição 8, o que confere resistência à degradação enzimática pela dipeptil peptidase-4 (DPP-4).
A presença de um diácido graxo C18 ligado à lisina na posição 26 promove uma forte ligação reversível à albumina plasmática. Essas características farmacocinéticas conferem ao fármaco uma meia-vida prolongada de aproximadamente 7 dias, permitindo a administração subcutânea semanal. A indicação formal em bula permanece direcionada ao tratamento de adultos com Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2), auxiliando no controle glicêmico através da secreção de insulina glicose-dependente e na supressão do glucagon.
Logística de Abastecimento e Farmacovigilância
Para o mercado de varejo e farmácia hospitalar, o impacto logístico inicial será expressivo. A EMS planeja injetar cerca de 500 mil canetas no mercado nacional neste primeiro ciclo de comercialização. A distribuição será realizada de forma escalonada, iniciando pelas grandes redes de distribuição farmacêutica para posterior capilarização nas demais regiões do país.
O medicamento estará disponível em embalagens contendo uma ou duas unidades aplicadoras. Com a introdução desta nova alternativa terapêutica, o papel do farmacêutico clínico na dispensação torna-se vital para orientar sobre o armazenamento correto (manutenção da cadeia de frio entre 2°C e 8°C antes do primeiro uso), uso correto do dispositivo e notificação de eventos adversos nos sistemas de farmacovigilância, assegurando a segurança e a eficácia da transição terapêutica na prática clínica.
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