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Novo Nordisk pede à Anvisa autorização para vender Wegovy em comprimidos no Brasil

  • Foto do escritor: Ana Raquel
    Ana Raquel
  • há 11 minutos
  • 2 min de leitura

A adesão ao tratamento da obesidade enfrenta historicamente a barreira da administração parenteral, mas esse cenário está prestes a mudar no Brasil. A Novo Nordisk formalizou junto à Anvisa, no último dia 30 de janeiro, o pedido de registro para a versão oral do Wegovy (semaglutida). A medida segue a recente aprovação pela FDA nos Estados Unidos e sinaliza uma ruptura logística na farmácia: a migração de um biológico termolábil de cadeia fria para uma forma farmacêutica sólida, democratizando o acesso e simplificando o armazenamento.


Do ponto de vista farmacotécnico, a inovação reside na superação da degradação enzimática gástrica. Sendo a semaglutida um peptídeo, sua administração oral só é viável graças à co-formulação com o SNAC (salcaprozato de sódio). Este promotor de absorção atua tamponando o pH local ao redor do comprimido no estômago, protegendo a molécula da ação da pepsina e facilitando sua absorção transcelular através do epitélio gástrico.


A eficácia clínica, validada em ensaios globais e que fundamentou a aprovação norte-americana, demonstra que altas doses orais (escalonadas até 25 mg ou mais) podem oferecer perda de peso comparável à versão subcutânea de 2,4 mg. No entanto, o perfil de tolerabilidade exige atenção redobrada: a titulação de dose deve ser rigorosa para manejar os eventos adversos gastrointestinais clássicos dos agonistas de GLP-1, como náuseas e vômitos, que permanecem como o principal desafio para a persistência no tratamento.


Para o farmacêutico clínico, a chegada desta tecnologia exige uma mudança de postura na dispensação. A biodisponibilidade da semaglutida oral é baixa e extremamente sensível à presença de alimentos ou grandes volumes de líquidos. Portanto, o sucesso terapêutico dependerá quase exclusivamente da educação do paciente sobre o jejum absoluto (geralmente de 30 minutos pós-tomada) e ingestão com pouca água (até 120 ml). O farmacêutico deixa de orientar sobre a "caneta" para se tornar o gestor da rotina matinal do paciente, garantindo que a conveniência oral não se traduza em falha terapêutica por erros de administração.



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