Estudo da Universidade Federal do Piauí comprova relação entre melancia e crises de enxaqueca em 29% dos pacientes
- 26 de fev.
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O estudo e a comprovação do gatilho
Identificar gatilhos alimentares na profilaxia da enxaqueca é um desafio constante no acompanhamento farmacoterapêutico, frequentemente limitado a relatos empíricos dos pacientes. Trazendo rigor científico a essa queixa clínica, um ensaio inédito conduzido pelo Programa de Ciências Farmacêuticas da Universidade Federal do Piauí (UFPI) e da Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPar) validou o potencial deflagrador da melancia.
O estudo, liderado pelo farmacêutico e pesquisador Dr. Raimundo Silva-Néto, demonstrou que o efeito não é universal, mas altamente específico: 29% dos pacientes com diagnóstico prévio de enxaqueca relataram crise cefálica aguda após a ingestão da fruta, enquanto o grupo controle (sem histórico da patologia) não apresentou nenhuma complicação.
Mecanismo por trás da dor
A explicação farmacodinâmica para esse gatilho dietético concentra-se na via de sinalização vascular. A melancia é uma das fontes naturais mais ricas em citrulina, um aminoácido que, após absorvido, é metabolizado em arginina e, subsequentemente, convertido em óxido nítrico (NO) pela enzima Óxido Nítrico Sintetase. Como a fisiopatologia da enxaqueca envolve uma hipersensibilidade do sistema trigeminovascular, o aumento da produção endógena de NO induz uma vasodilatação meníngea que intensifica ou deflagra a crise de dor.
A confirmação por exames de sangue
Durante o experimento clínico controlado, os pesquisadores confirmaram essa via metabólica através de avaliações laboratoriais. Duas horas após o consumo da melancia, os voluntários foram submetidos a dosagens de nitrito (um marcador sistêmico e indireto da produção de óxido nítrico). Os exames confirmaram a elevação da molécula vasodilatadora nos dois grupos, mas apenas os indivíduos com histórico de enxaqueca demonstraram suscetibilidade neurológica a esse pico metabólico, corroborando o mecanismo de ação proposto pelo estudo publicado em periódicos como o European Neurology.
O que muda na orientação farmacêutica?
Apesar da comprovação de que a fruta pode agir como deflagrador vascular, ela permanece nutricionalmente benéfica (rica em licopeno e hidratação) para a população geral. Para a prática do farmacêutico clínico, o que muda no consultório ou no balcão é a precisão da orientação prestada. Com base nos dados consolidados por essa pesquisa, a investigação de gatilhos na anamnese ganha uma evidência científica robusta para recomendar a restrição individualizada do consumo de melancia em pacientes suscetíveis. Essa intervenção não-farmacológica é crucial para diminuir a frequência das crises e reduzir o uso abusivo de triptanos e analgésicos de resgate.
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