Pesquisa de Tatiana Sampaio (UFRJ) com polilaminina recebe aval para testes clínicos em lesões medulares
- 31 de mar.
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O início dos testes clínicos de fase 1 com a polilaminina, previsto para a primeira semana de abril de 2026, marca um avanço significativo na biotecnologia farmacêutica brasileira para o tratamento de lesões medulares. O estudo, conduzido pela pesquisadora Tatiana Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em parceria com o laboratório Cristália, foca inicialmente na avaliação da segurança e tolerabilidade desta proteína em cinco pacientes voluntários. Os critérios de inclusão são rigorosos: indivíduos entre 18 e 72 anos com lesões medulares completas na região torácica (entre as vértebras T2 e T10), com intervenção realizada em uma janela terapêutica de até 72 horas após o trauma agudo.
A polilaminina é um polímero bioativo derivado da laminina, uma glicoproteína heterotrimérica fundamental da matriz extracelular (MEC). Diferente da laminina monomérica, a polilaminina mimetiza a organização estrutural da lâmina basal, atuando como um arcabouço (scaffold) que favorece a adesão e a migração celular. Do ponto de vista da farmacodinâmica, o alvo molecular desta intervenção é o microambiente da lesão medular; a proteína busca estimular a neuritogênese e modular a resposta regenerativa, possivelmente mitigando a formação da cicatriz glial que impede o crescimento axonal em condições fisiológicas padrão após o trauma.
O desenvolvimento deste fármaco experimental acumulou quase três décadas de evidências pré-clínicas e relatos de uso compassivo que indicaram recuperações parciais de sensibilidade e motricidade. Estruturalmente, a polilaminina aproveita as propriedades de reconhecimento celular da laminina — mediadas principalmente por receptores de integrina — para promover um suporte mecânico e bioquímico que sustenta a sobrevivência neuronal e a plasticidade sináptica no sítio da lesão. Por ser uma proteína derivada de fontes naturais, a biocompatibilidade é um dos pilares da segurança que o ensaio clínico pretende ratificar sob rigorosa vigilância sanitária.
A autorização para este ensaio clínico foi concedida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), após o cumprimento das etapas éticas e regulatórias em 2023. O acompanhamento dos pacientes será contínuo, com a divulgação dos primeiros dados de segurança prevista para o primeiro semestre de 2027. Estes resultados serão determinantes para estabelecer os protocolos de dose e eficácia necessários para a progressão para as fases 2 e 3, além de fundamentar a possibilidade de aplicação futura em casos de lesões crônicas, onde o desafio da regeneração neural é ainda mais complexo devido à consolidação do tecido fibrótico.
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